Efémero - Prólogo

 Efémero como este texto, segue a vida que levamos. Levando-a com a essência de nos multiplicarmos, temendo o medo da perda e da morte constantemente, tanto que por vezes nos leva a estar dispostos a deitar fora vida de todos os alheios com os quais não temos uma ligação profunda, para poder manter esta “nossa” realidade segura. Irónico é este princípio de autodestruição, motivado pelo ambição de preservar e proliferar. Somos seres dispostos a destruir a vida para manter e espalhar a vida, parte lamentável da condição humana.

Perdendo significado nesta luta constante, reencontramo-lo nos pequenos momentos, onde nos alinhamos com o que somos e com o mundo, momentos eternizados na alma e memória, atribuindo sentido e combustível a tudo o que nos propele.

Encontrados numa estranha comunhão com o mundo, vivem estes segundos onde apenas existimos nós e o universo, tocando a infinidade um do outro, um tão longo que se pode dizer infinito, outro insignificante como um pequeno sopro dentro do primeiro.

N. H.

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