Dança
Irónico, não pensei que alguma vez a esta altura fosse escrever sobre isto, entre canecas e mágoas, alguém próximo me falava d'um conhecido muito peculiar, adorado por todos. A base da peculiaridade deste indivíduo seria a sua forma de ver os outros. Na sua visão, cada cruzamento na sua vida com outro ser é visto como um momento efémero, um encontro destinado a acabar.
A princípio parece um pouco melancólico, toda esta ideia de que ninguém existe para ficar. Comparo a beleza disto às danças tradicionais que vi muita vez, cada um é importante, fazendo acontecer o espetáculo de movimento, trocando de par constantemente, duas pessoas entrelaçam-se por um momento, desfrutando da companhia uma da outra, para logo a seguir se desentrelaçarem, abraçando outro par. O segredo do espetáculo está então em aproveitar e agradecer o momento que pudemos partilhar, sem lamentar a partida, que não lamentamos pois sabemos que a dança não termina aí.
Conseguimos encarar a vida da mesma forma? Desfrutando e deixando-nos deslumbrar pela beleza do toque mágico provocado pelo encontro com cada um, gratos pelo momento, ansiosos pelo próximo encontro. Poderá o mesmo par voltar? Talvez, mas até lá, aproveitemos a beleza da canção.
N. H.
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