Impermanência
A
impermanência da vida é assustadora, estar com alguém que nos diz tanto
sabendo que daqui a uns anos ou meses, talvez semanas, não nos diga
nada. As relações são tão necessárias quanto voláteis. As pessoas tão
frágeis, sempre cheias de um vazio tão grande, tão dependentes umas das
outras e ao mesmo tempo tão desligadas e afastadas dos que os rodeiam
por medo de sofrer com a perda dessas relações, vivem as suas ligações
limitadas pelo receio da inevitabilidade que é o fim delas.
No fim de
contas de que valem elas se são para desaparecer? Qual o significado
dessas pessoas para além de transmitir conhecimento e partilhar uma ou
outra experiência, que no fim acaba por ir desaparecendo e deturpando-se
com as partidas que a memória nos prega?
A
partilha, o crescimento, as vivências. São essas as grandes recompensas
da conexão com aqueles ao nosso redor. Todos nós devemos reconhecer que
qualquer refeição sabe muito melhor quando acompanhados daqueles que
nos são queridos.
A perspetiva. Nunca conseguiremos calçar mais do
que os nossos próprios sapatos, mas podemos ter um leve deslumbre
daquilo que o mundo é nos sapatos dos outros ao partilhar uma mesma
experiência com eles, o que eles vêm, sentem e pensam, a oportunidade de
beber um pequeno trago da vida alheia.
Prolongando também um pouco
mais a vida destes momentos de felicidade efémero, ao repartir-los com
aqueles que nos rodeiam, pois a memória é o nosso baú de tesouros, e
estes tesouros não precisam ser divididos, apenas multiplicados.
N. H.
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