Carta de Despedida

 Um dia farei uma carta de despedida, bem, creio que esse dia pode ser hoje. Um pouco à semelhança de B.P. que por sua vez imitava o pirata do peter pan o qual não me recordo com precisão o nome, deixo a minha pequena mensagem para trás do que significou para mim tudo isto.
O mundo é vasto e as possibilidades infinitas, em cada pequeno canto há sempre algo mágico de novo para descobrir, ao início foi um pouco frustrante confesso, perseguir a vida como se houvesse uma fórmula mágica determinista, estava convencido que se estudasse o suficiente as pessoas podia sair a ganhar em qualquer situação, fazendo-me a mim e aos outros felizes, depois de muito bater com a cabeça na parede acabei por descobrir que essa fórmula mágica não existe, ou mesmo que exista para o maior dos génios, a mesma tiraria o significado da vida, pois qual seria o sentido em jogar um jogo no qual todos os passos já estão conhecidos e pre-determinados?
A beleza de seguir a corrente, de nos surpreender-mos todos os dias com as novidades e possibilidades, de encontrar pessoas novas com as quais partilhar histórias, lágrimas e gargalhadas e de encontrar bondade nos outros, um sorriso, o aconchego de um amigo, isso é o que dá valor à vida.
Sou grato por todas as pessoas que conheci até aqui, por aquelas com as quais passei os melhores momentos e por aquelas que me fizeram passar pelas lições mais duras, por vezes as mesmas. Sei que não sou nada mais do que um produto das minhas experiências, um resultado da junção de todas as pessoas com quem me cruzei, das quais tirei um bocadinho de cada para a minha viagem.
Se tivesse de deixar uma mensagem para o mundo com o segredo pra levar uma vida feliz, acho que começaria por dizer que o primeiro e provavelmente passo mais importante é reconhecer que somos responsáveis pelas nossas circunstâncias e pela nossa vida, e por mais duro que isso seja, 99% do nosso futuro depende da forma como interagimos e olhamos para o mundo ao nosso redor, pois o mundo é como um amigo e um espelho, devolve-nos muito do que lhe damos e olha-nos como o olhamos. Por vezes somos maus com ele, e ele perdoa-nos e trata-nos bem na mesma, noutras vezes entristece-nos quando não fizemos nada de errado e temos de saber aceita-lo, mantendo as nossas crenças inabaláveis e continuando a regar com bondade as nossas sementes do destino.
Numa segunda parte tão importante como a primeira e muito íntima com esta, condição triunfante para a vida, resume-se numa palavra, gratidão. Precisamos entender que a condição humana é de insatisfação, que fomos criados com a mente de quem escala uma montanha onde o cume parece estar sempre à mesma distância, desesperamos. Nesses momentos, o melhor a fazer é parar e olhar pra trás, encostarmo-nos um pouco e aproveitar a vista do quanto fomos capazes de subir, do que fomos capazes de alcançar. Olhando à volta e sendo verdadeiramente contentes pelo que temos e por quem temos, seremos sempre muito mais felizes do que alimentando a sede constante de muitos dos nossos objetivos os quais a lista muitas vezes parece ser interminável.
Por último e talvez o mais importante, amai. Sem medos, sem receios. Por vezes as pessoas não têm nem uma pequena ideia do que o mundo tem preparado para elas se elas estiverem dispostas a recebê-lo de braços abertos. Abram as asas, voem e aproveitem ao máximo cada grão de areia que vai caindo na ampulheta, pois no fim não é certo que esta torne a ser virada.
Antes que este texto se dê por terminado e esta "carta" se perca pela eternidade, quero tirar um segundinho para louvar a todos os que me foram marcando, que me deram significado e que se mantive por perto foi porque sempre admirei e pude aprender com eles. Levo tudo o que eles são e com eles fica tudo o que sempre fui e serei.
Com carinho e amor, até sempre.

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